sábado, 13 de outubro de 2012

Blog sobre metrô, clima e outros

Na minha busca de informações para o post anterior, acabei encontrando um site muito interessante:

http://www.blogencommun.fr/

Ele oferece atualizações sobre o metrô, detalhes e curiosidades pra quem utiliza esse meio de transporte diariamente. Fala desde novas escadas rolantes na linha X à internet 3G na linha Y, correio elegante (isso eu vi na Australia, achei sensacional, poderia ter algo parecido em SP). Você viu alguém interessante no trem, e não teve coragem de chegar na pessoa. Manda um recado do tipo "você que estava na linha tal, roupa tal, lendo um livro tal, eu era o cara de chapéu que estava te olhando, vamos tomar um café?"

Adorei, muito útil. A essa altura do campeonato fica dificil negar que eu sou apaixonada pelo metrô, certo? : )
Quase nem conheço os ônibus de Paris. Uma vez uma amiga me disse que sempre andava de ônibus porque isso permitia que ela visse a cidade e, se de repente passasse na frente de algo interessante, ela podia descer ali. Eu concordo, mas não tem jeito, eu amo o metrô de Paris. Aliás amo o metrô, em qualquer lugar do mundo. Em Paris, durante a semana, você pode pegar no metrô um jornalzinho chamado Direct Matin (de manhã) ou Direct Soir (de tarde). Nele, muitas informações interessantes e rápidas pra ler na viagem, palavras cruzadas e o que eu mais gostava, o Santo do dia.

Pra quem não sabe todo dia é dia de algum santo, e o jornal conta a história do mesmo, que é sempre alguma história bizarra envolvendo martírios e lendas. Eu adorava.

É possível ler esse jornalzinho em pdf, ótimo pros estudantes de francês: http://kiosque.directmatin.fr/

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Estações-fantasma do metrô de Paris

Hoje estava escutando a música "Le Poinçonneur des Lilas", de Serge Gainsbourg, que fala de um funcionário do metrô/trens que verifica os bilhetes dos passageiros. Não há um nome em português pra isso, simplesmente porque essa função não existe aqui. Quem já foi pra Paris já viu esses nem sempre simpáticos funcionários - eles pedem o bilhete no meio da viagem e fazem um furinho nele. Por isso o refrão da música é "J'fais des trous, des p'tits trous, encore des p'tits trous", que significa "eu faço furinhos, furinhos, e mais furinhos". A música é ótima, a letra simples e incrível, sobre a vida solitária e entediante dessa figura que passa um tempão literalmente embaixo da terra.

Mas entrando no assunto dessa postagem, a música fala sobre a Porte des Lilas, que é uma estação de metrô que ainda existe, mas que possui plataformas fechadas ao público. Lembro também da estação St Martin, que segundo o livro Métronome já citado aqui, foi fechada em 1939, no início da 2a Guerra.

Assim como essa, Paris tem várias outras estações fantasma, que criam curiosidade e atraem os turistas.

Estações Nunca Inauguradas
Duas estações do metrô de Paris foram construídas sobre o traçado da linha, mas nunca foram abertas ao público e não possuem saídas para a rua: Porte Molitor/Murat e Haxo.
Porte Molitor/Murat foi construída em conexão com as linhas 9 e 10, com o objetivo de ser uma opção de locomoção para os freqüentadores do estádio Parc des Princes, mas a exploração comercial foi considerada complicada demais e o projeto foi abandonado antes da construção de acessos à estação. Suas vias servem atualmente como estacionamento de trens.
Haxo foi construída sobre um curto trecho da rede destinado a ligar as atuais linhas 3 bis e 7 bis, mas acabou-se optando por uma ligação expressa rodoviária; no entanto, o serviço de ônibus não agradou aos usuários e foi suprimido em 1939.
Estações Fechadas
Três estações nunca foram reabertas após o fim da Segunda Guerra Mundial: Arsenal (linha 5), Champ-de-Mars (linha 8) e Croix-Rouge (linha 10).
Duas outras estações foram reabertas, mas possuem plataformas inacessíveis ao público: Porte des Lilas/Cinéma (linha 3 bis) e Invalides (linha 8).

Estações isoladas
Três estações de metrô foram planejadas, mas o traçado da linha nunca chegou a elas.
Quando a linha 1 do metrô parisiense foi prolongada até Pont au Neuilly em 1937, uma futura extensão até La Défense também foi projetada, e a administração regional reservou dois espaços subterrâneos destinados às futuras estações. No entanto, o custo de uma possível travessia subterrânea do Sena foi considerado alto demais e o traçado do projeto foi alterado para utilizar a ponte de Neuilly.
O espaço reservado às estações ficou então inutilizável, e seu único acesso se encontra no quarto andar de subsolo de um estacionamento, a trinta metros de profundidade.
Orly-Sud foi igualmente planejada para uma futura extensão do metrô até o aeroporto de Orly, mas as obras nunca aconteceram e a ligação expressa Orlyval, aberta em 1991, foi construída sobresolo, sem usar a área reservada.

Ainda é possível visitar a entrada da estação St Martin, bem perto da estação Strasboug-St Denis!

Texto retirado da Wikipedia

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Os divinos MACARONS

Quando falamos na França, o que imediatamente nos vem à cabeça: Torre Eiffel? Arco do Triunfo? Champs-Élysées? E depois? sim!! comida!!! vinhos, pães, crepes... e uma viagem à França, no âmbito gastronômico, não estará completa antes que se experimente um delicioso macaron.

O macaron (com um "erre" só mesmo), é um doce que é uma das marcas registradas da França. É uma espécie de "sanduíche" de suspiro, parece aqueles hamburguers de brinquedo. No meio do sanduíche, um creme delicioso. O macaron é aquele tipo de doce pra comer com os olhos. Lindo, ele existe em vários tamanhos e cores. E que cores. Rosa-choque, verde-bandeira, amarelo-ovo... e os sabores, então!! café, maracujá, limão, pistache, caramelo, e por aí vai.

Em Paris você encontra macarons em qualquer pâtisserie (o equivalente francês da padaria, mas com mais doces), mas os mais famosos são os da Ladurée, tradicionalíssima desde o século passado! Aliás está confirmado: a Ladurée aterrisa no Brasil com uma nova loja a ser inaugurada no novíssimo shopping JK.

O macaron é a essência do que é a comida francesa: delicado, leve, ele desmancha na boca, e é absurdamente saboroso sem ser cheio de gordura ou de aromatizantes. Agora, prepare o bolso... uma caixinha com 8 unidades pequenas pode custar mais de 30 euros (mais ou menos 70 reais)! Mas vale cada centavo! : )


sábado, 10 de março de 2012

Comidinhas francesas - os pães

Na França, uma das coisas mais comuns de se encontrar pra comer na rua é pão. As boulangeries francesas, espécie de padarias (onde, diferente daqui, só se vende PÃO mesmo), são irresistíveis. As estrelas são o croissant e suas variedades: croissant puro, pain au chocolat, que tem massa de croissant mas é recheado com chocolate, pão com amêndoas, pão com passas e etc. Sem contar as lanchonetes com tudo quanto é tipo de sanduíches, paninis enormes, etc.

Sobre as boulangeries, elas estão em toda parte: nas ruas, nas galerias, nas estações de trem... é duro resistir! Sempre me lembro de uma boulangerie em La Rochelle que tinha um cheiro de pão quente tão forte que já começavamos a sentir uns 4 quarteirões antes.

Sobre o croissant, você pode dizer, "mas toda padaria aqui tem croissant, inclusive recheados, com queijo, presunto, etc". Bom, esse croissant que temos aqui nem se compara ao francês. Ele nada mais é que um pão de leite normal com o formato do croissant francês. O legítimo francês é levíssimo, se desfaz na boca (e faz a maior sujeira de migalhas na roupa). Eles não são fáceis de achar em SP, mas uma sugestão é a Padaria Marie-Madeleine na Vila Nova Conceição ou a Blés D'Or em Moema, que é uma graça.

E por último e não menos importante, a baguete francesa. Ela é um pouco diferente da nossa, tem uma casca mais grossa tipo pão italiano, mas não acho que fique longe da que vemos por aqui. E eu nunca curti muito baguetes, e achava o cúmulo comê-las enquanto estava na França, desperdiçando assim uma boa oportunidade de comer um croissant. Pensava, "oras, eu como baguetes no Brasil!".

Bom, em minha última estada em Paris, fiquei na casa de uma francesa que comprava baguetes todos os dias, e um dia resolvi  fazer a minha já tradicional "tartine" matinal (manteiga e geléia juntas no pão) na baguete, ao invés do croissant.... meu Deus.... paguei a língua. Os franceses sabem o que fazem. Aliás eu podia ficar aqui falando mais horas só sobre manteigas e geléias, mas deixo pra um próximo post. Deu uma fominha!: )

Comidinhas francesas - o crepe

Na minha opinião, nada representa mais a cultura de um país do que a comida de rua. Certamente, ao ouvir falar da França, as pessoas já pensam em escargots, coquilles st-jacques e vinhos. Desses todos, o que realmente os franceses tomam no dia a dia é o vinho. De resto, a comida de rua francesa é bem similar a todos os outros países: calórica, gordurosa e deliciosa!

Vamos começar pelo crepe.

Tem coisa mais francesa que o crepe? O croissant, talvez... mas pra nós brasileiros, o crepe é um artigo de luxo, que se come em creperias, e talvez de um tempinho pra cá em alguns quiosques em shoppings, que não "pegaram" muito, infelizmente.

Mas felizmente em Paris o crepe é mais comum que pão francês em São Paulo e tem em qualquer esquina, você vai encontrar crepes em todos os restaurantes, dos mais baratinhos aos mais chiques, e em banquinhas na rua que vendem também pain au chocolat e churrasquinho grego (eca!). Eu sou suspeita, sempre como o de Nutella, que tem aos montes por lá. Aliás, só lá você encontra uns frascos de Nutella super size, é uma loucura.

Achei várias fotos lindas e apetitosas de crepes, mas essa foi a que mais gostei, pois é exatamente a imagem de quem sai de uma dessas banquinhas de crepe de rua, com ele todo enroladinho e pouco guardanapo - e bonne chance pra não se melecar inteiro - o que faz parte do processo... humm!


terça-feira, 23 de agosto de 2011

As estações de metrô e sua história - Estação Saint Martin

A Estação de Metrô St. Martin já não funciona mais, foi desativada em 1939, mas nesse mesmo local subterrâneo funciona hoje um posto do Exército de Salvação, que acolhe e alimenta moradores de rua. O curioso é que conta a lenda que o Santo Martin, ou Saint Martin, teve uma visão de Jesus Cristo após dividir um pedaço de seu próprio manto com um mendigo das ruas da Paris do século IV.

Lendas à parte, nessa época os romanos continuavam a dominar a Paris de então, agora sob o governo do imperador Constantino. No entanto, o império não era mais tão poderoso quanto antigamente, e as invasões bárbaras começam a desestruturar esse domínio. Constantino, então, se vê obrigado a dividir seu poder com líderes menores em diferentes regiões, para garantir assim que toda a extensão do império se proteja contra os bárbaros. Um desses líderes, Maxence, resolve se rebelar e decide ele mesmo se tornar o único imperador de Roma, e parte para o combate com as tropas de Constantino. No auge desse combate sangrento, Constantino teria visto uma cruz no céu e ouvido um recado: "Por esse símbolo, vencerás" - e efetivamente, suas tropas conquistam uma vitória esmagadora. A partir de então, ele renuncia às perseguições aos cristãos e passa a usar a religião como forma de consolidar a unidade do império.

Ele próprio, no entanto, só se convertirá ao cristianismo em seu leito de morte, na esperança de ser absolvido de seus pecados...

Vinte anos mais tarde, seu sobrinho Julien segue um caminho espiritual inverso: profundamente interessado em filosofia, ele não se contenta com as lições do monoteísmo cristão, e crê que os ensinamentos de Platão superam de longe aqueles do cristianismo. Julien se tornará o vice-imperador e será bem sucedido em suas campanhas contra os Germânicos, que ameaçam invadir Roma. E foi o primeiro a amar Paris. Entre batalhas e expedições, ele sempre descansava lá, em sua villa construída na Île de la Cité. Ele amava o rio, as comidas, os cheiros, e inclusive escreveu canções sobre a cidade. Infelizmente ele morreu longe de sua amada cidade, em uma de suas campanhas no exterior.

Turismo!
- Não se sabe exatamente em que momento Paris passou a ser conhecida por esse nome, mas a testemunha mais antiga é uma pedra miliar, na qual está esculpido "Civitas Parisiorum", que significa "A cidade dos Parisii". A partir dessa época, Paris surge da velha Lutécia, que agora é quase que totalmente habitada por Gauleses - a maioria dos romanos já tinha deixado a cidade nessa época. Essa pedra está exposta no Museu Carnavalet.

- No século III a cidade era cercada de fortificações. Um fragmento delas pode ser visto na cripta arqueológica de Notre-Dame.

- A villa onde morava Julien já não existe mais. No mesmo local encontramos hoje o Palais de justice de Paris (Palácio da Justiça), mas antes disso ela foi por muito tempo residência real. O interessante de ser visto nesse local são quatro antigas torres: a tour de l'Horloge, que abrigou o primeiro relógio da cidade, que também possuia um sino que tocava no nascimento ou morte de um rei; la tour de César, la tour d'Argent e la tour Bonbec, a mais antiga de todas.

Fotos:
- Modelo de borne milliaire (marco miliário)
- Cripta de Notre-Dame
- Tour de l'horloge e palais de justice



sábado, 6 de agosto de 2011

As estações de metrô e sua história - Estação Place D'Italie

À primeira vista, a estação Place d'Italie não tem nada de especial, pelo contrário: quando comparado a tantos lugares lindos em Paris, é meio sem graça, até um pouco bizarra. Está situada em uma rotatória, e o trânsito é constante. Em sua volta, prédios supostamente modernos mas sem beleza, redes de fast-food, torres feias.

No século II, no entanto, no exato local onde ela está situada passava uma via que seguia até Roma, indo pela hoje Porte d'Italie e Lyon e depois seguindo em direção à Itália. Incrível imaginar que nesses tempos já existissem essas incríveis estradas que ligavam todas as cidades conquistadas pelos romanos.

Apesar de toda destruição causada pelos romanos na conquista de Lutécia, foram eles os responsáveis pelo crescimento e prosperidade da cidade. Incríveis construtores, os romanos transformaram terrenos acidentados e cheios de lama em campos planos, e também construíram as famosas termas. Locais de banhos, lazer, ponto de encontro dos cidadãos, ornados por belos mosaicos e afrescos, as termas eram indispensáveis nos países conquistados pelos romanos, e a maior delas em Paris eram as termas de Cluny.

Construída pelo próprio Julio César, as termas de Cluny contavam, além dos banhos, com ateliês, jardins, bibliotecas e museus. Saqueada pelos bárbaros no século 4, só seriam reformadas no século 13.

Outra construção importante na Lutécia foi o Anfiteatro (l'amphithéâtre), também chamado de Arenas de Lutécia. Local de lazer dos romanos e lutecianos, acredita-se que era capaz de receber quase 17.000 pessoas; era palco de encenações teatrais e de batalhas sangrentas entre gladiadores e feras, tal como no Coliseu.

Ainda falando em rotas de transporte, a principal via na Lutécia romana era chamada de "cardo maximus". Construídas com "dalles", espécie de paralelepípedo, essa via atravessava a cidade de um lado a outro.

TURISMO!

- As ruínas das termas de Cluny estão expostas no museu de Cluny em Paris (o mesmo local do Pilier des Nautes - vide post anterior). Além delas, foram descobertas ruínas de uma antiga casa de banhos do século II durante a construção da adega do atual restaurante Le Coupe-Chou.

- O anfiteatro de Lutécia foi destruído pelos bárbaros, virou cemitério, foi soterrado, e então redescoberto por acaso no século XIX, durante obras de construção de uma avenida. Seria destruído, não fosse um protesto liderado por Victor Hugo, que permitiu que o local fosse mantido como monumento histórico até hoje, um ponto turístico imperdível e gratuito.

- A antiga cardo maximus não existe mais. Ela partia da atual Rue Saint-Jacques e continuava pela Rue Saint-Martin. O interessante é que, antes mesmo dos romanos e da própria Lutécia, essa via já existia, e suas origens são misteriosas. Hoje em dia, o que resta da cardo maximus é uma única dalle, que repousa na frente da igreja Saint-Julien-le-Pauvre. Além disso, um pequeno pedaço das paredes do forum de Lutécia pode ser visto no 61, boulevard Saint Michel.

Fotos:
- Estação Place d'Italie
- A última dalle romana
- As Arenas de Lutécia