sábado, 6 de agosto de 2011

As estações de metrô e sua história - Estação Place D'Italie

À primeira vista, a estação Place d'Italie não tem nada de especial, pelo contrário: quando comparado a tantos lugares lindos em Paris, é meio sem graça, até um pouco bizarra. Está situada em uma rotatória, e o trânsito é constante. Em sua volta, prédios supostamente modernos mas sem beleza, redes de fast-food, torres feias.

No século II, no entanto, no exato local onde ela está situada passava uma via que seguia até Roma, indo pela hoje Porte d'Italie e Lyon e depois seguindo em direção à Itália. Incrível imaginar que nesses tempos já existissem essas incríveis estradas que ligavam todas as cidades conquistadas pelos romanos.

Apesar de toda destruição causada pelos romanos na conquista de Lutécia, foram eles os responsáveis pelo crescimento e prosperidade da cidade. Incríveis construtores, os romanos transformaram terrenos acidentados e cheios de lama em campos planos, e também construíram as famosas termas. Locais de banhos, lazer, ponto de encontro dos cidadãos, ornados por belos mosaicos e afrescos, as termas eram indispensáveis nos países conquistados pelos romanos, e a maior delas em Paris eram as termas de Cluny.

Construída pelo próprio Julio César, as termas de Cluny contavam, além dos banhos, com ateliês, jardins, bibliotecas e museus. Saqueada pelos bárbaros no século 4, só seriam reformadas no século 13.

Outra construção importante na Lutécia foi o Anfiteatro (l'amphithéâtre), também chamado de Arenas de Lutécia. Local de lazer dos romanos e lutecianos, acredita-se que era capaz de receber quase 17.000 pessoas; era palco de encenações teatrais e de batalhas sangrentas entre gladiadores e feras, tal como no Coliseu.

Ainda falando em rotas de transporte, a principal via na Lutécia romana era chamada de "cardo maximus". Construídas com "dalles", espécie de paralelepípedo, essa via atravessava a cidade de um lado a outro.

TURISMO!

- As ruínas das termas de Cluny estão expostas no museu de Cluny em Paris (o mesmo local do Pilier des Nautes - vide post anterior). Além delas, foram descobertas ruínas de uma antiga casa de banhos do século II durante a construção da adega do atual restaurante Le Coupe-Chou.

- O anfiteatro de Lutécia foi destruído pelos bárbaros, virou cemitério, foi soterrado, e então redescoberto por acaso no século XIX, durante obras de construção de uma avenida. Seria destruído, não fosse um protesto liderado por Victor Hugo, que permitiu que o local fosse mantido como monumento histórico até hoje, um ponto turístico imperdível e gratuito.

- A antiga cardo maximus não existe mais. Ela partia da atual Rue Saint-Jacques e continuava pela Rue Saint-Martin. O interessante é que, antes mesmo dos romanos e da própria Lutécia, essa via já existia, e suas origens são misteriosas. Hoje em dia, o que resta da cardo maximus é uma única dalle, que repousa na frente da igreja Saint-Julien-le-Pauvre. Além disso, um pequeno pedaço das paredes do forum de Lutécia pode ser visto no 61, boulevard Saint Michel.

Fotos:
- Estação Place d'Italie
- A última dalle romana
- As Arenas de Lutécia


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