terça-feira, 23 de agosto de 2011

As estações de metrô e sua história - Estação Saint Martin

A Estação de Metrô St. Martin já não funciona mais, foi desativada em 1939, mas nesse mesmo local subterrâneo funciona hoje um posto do Exército de Salvação, que acolhe e alimenta moradores de rua. O curioso é que conta a lenda que o Santo Martin, ou Saint Martin, teve uma visão de Jesus Cristo após dividir um pedaço de seu próprio manto com um mendigo das ruas da Paris do século IV.

Lendas à parte, nessa época os romanos continuavam a dominar a Paris de então, agora sob o governo do imperador Constantino. No entanto, o império não era mais tão poderoso quanto antigamente, e as invasões bárbaras começam a desestruturar esse domínio. Constantino, então, se vê obrigado a dividir seu poder com líderes menores em diferentes regiões, para garantir assim que toda a extensão do império se proteja contra os bárbaros. Um desses líderes, Maxence, resolve se rebelar e decide ele mesmo se tornar o único imperador de Roma, e parte para o combate com as tropas de Constantino. No auge desse combate sangrento, Constantino teria visto uma cruz no céu e ouvido um recado: "Por esse símbolo, vencerás" - e efetivamente, suas tropas conquistam uma vitória esmagadora. A partir de então, ele renuncia às perseguições aos cristãos e passa a usar a religião como forma de consolidar a unidade do império.

Ele próprio, no entanto, só se convertirá ao cristianismo em seu leito de morte, na esperança de ser absolvido de seus pecados...

Vinte anos mais tarde, seu sobrinho Julien segue um caminho espiritual inverso: profundamente interessado em filosofia, ele não se contenta com as lições do monoteísmo cristão, e crê que os ensinamentos de Platão superam de longe aqueles do cristianismo. Julien se tornará o vice-imperador e será bem sucedido em suas campanhas contra os Germânicos, que ameaçam invadir Roma. E foi o primeiro a amar Paris. Entre batalhas e expedições, ele sempre descansava lá, em sua villa construída na Île de la Cité. Ele amava o rio, as comidas, os cheiros, e inclusive escreveu canções sobre a cidade. Infelizmente ele morreu longe de sua amada cidade, em uma de suas campanhas no exterior.

Turismo!
- Não se sabe exatamente em que momento Paris passou a ser conhecida por esse nome, mas a testemunha mais antiga é uma pedra miliar, na qual está esculpido "Civitas Parisiorum", que significa "A cidade dos Parisii". A partir dessa época, Paris surge da velha Lutécia, que agora é quase que totalmente habitada por Gauleses - a maioria dos romanos já tinha deixado a cidade nessa época. Essa pedra está exposta no Museu Carnavalet.

- No século III a cidade era cercada de fortificações. Um fragmento delas pode ser visto na cripta arqueológica de Notre-Dame.

- A villa onde morava Julien já não existe mais. No mesmo local encontramos hoje o Palais de justice de Paris (Palácio da Justiça), mas antes disso ela foi por muito tempo residência real. O interessante de ser visto nesse local são quatro antigas torres: a tour de l'Horloge, que abrigou o primeiro relógio da cidade, que também possuia um sino que tocava no nascimento ou morte de um rei; la tour de César, la tour d'Argent e la tour Bonbec, a mais antiga de todas.

Fotos:
- Modelo de borne milliaire (marco miliário)
- Cripta de Notre-Dame
- Tour de l'horloge e palais de justice



sábado, 6 de agosto de 2011

As estações de metrô e sua história - Estação Place D'Italie

À primeira vista, a estação Place d'Italie não tem nada de especial, pelo contrário: quando comparado a tantos lugares lindos em Paris, é meio sem graça, até um pouco bizarra. Está situada em uma rotatória, e o trânsito é constante. Em sua volta, prédios supostamente modernos mas sem beleza, redes de fast-food, torres feias.

No século II, no entanto, no exato local onde ela está situada passava uma via que seguia até Roma, indo pela hoje Porte d'Italie e Lyon e depois seguindo em direção à Itália. Incrível imaginar que nesses tempos já existissem essas incríveis estradas que ligavam todas as cidades conquistadas pelos romanos.

Apesar de toda destruição causada pelos romanos na conquista de Lutécia, foram eles os responsáveis pelo crescimento e prosperidade da cidade. Incríveis construtores, os romanos transformaram terrenos acidentados e cheios de lama em campos planos, e também construíram as famosas termas. Locais de banhos, lazer, ponto de encontro dos cidadãos, ornados por belos mosaicos e afrescos, as termas eram indispensáveis nos países conquistados pelos romanos, e a maior delas em Paris eram as termas de Cluny.

Construída pelo próprio Julio César, as termas de Cluny contavam, além dos banhos, com ateliês, jardins, bibliotecas e museus. Saqueada pelos bárbaros no século 4, só seriam reformadas no século 13.

Outra construção importante na Lutécia foi o Anfiteatro (l'amphithéâtre), também chamado de Arenas de Lutécia. Local de lazer dos romanos e lutecianos, acredita-se que era capaz de receber quase 17.000 pessoas; era palco de encenações teatrais e de batalhas sangrentas entre gladiadores e feras, tal como no Coliseu.

Ainda falando em rotas de transporte, a principal via na Lutécia romana era chamada de "cardo maximus". Construídas com "dalles", espécie de paralelepípedo, essa via atravessava a cidade de um lado a outro.

TURISMO!

- As ruínas das termas de Cluny estão expostas no museu de Cluny em Paris (o mesmo local do Pilier des Nautes - vide post anterior). Além delas, foram descobertas ruínas de uma antiga casa de banhos do século II durante a construção da adega do atual restaurante Le Coupe-Chou.

- O anfiteatro de Lutécia foi destruído pelos bárbaros, virou cemitério, foi soterrado, e então redescoberto por acaso no século XIX, durante obras de construção de uma avenida. Seria destruído, não fosse um protesto liderado por Victor Hugo, que permitiu que o local fosse mantido como monumento histórico até hoje, um ponto turístico imperdível e gratuito.

- A antiga cardo maximus não existe mais. Ela partia da atual Rue Saint-Jacques e continuava pela Rue Saint-Martin. O interessante é que, antes mesmo dos romanos e da própria Lutécia, essa via já existia, e suas origens são misteriosas. Hoje em dia, o que resta da cardo maximus é uma única dalle, que repousa na frente da igreja Saint-Julien-le-Pauvre. Além disso, um pequeno pedaço das paredes do forum de Lutécia pode ser visto no 61, boulevard Saint Michel.

Fotos:
- Estação Place d'Italie
- A última dalle romana
- As Arenas de Lutécia